Afinal o que mais compensa: Comprar ou arrendar casa?

Afinal o que mais compensa: Comprar ou arrendar casa?

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Com a recuperação do mercado imobiliário que veio consequentemente aumentar o preço das casas a nível nacional, numa situação pós-crise económica e financeira, tornou-se cada vez mais difícil e importante na vida das famílias a decisão de arrendar casa ou pagar uma prestação ao banco, praticamente vitalícia, pela compra da mesma.

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Só no ano passado o aumento das rendas a nível nacional foi de 9%, que corresponde a um valor médio de 4,8 euros por metro quadrado. Quanto ao preço das casas vendidas, o aumento foi de 9% que se traduziu aproximadamente em 996 euros por metro quadrado. Já em Lisboa e no Porto, estes aumentos ultrapassaram os 20%.

E este ano a tendência mantém-se, com os preços dos imóveis e rendas a atingir valores históricos.

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É verdade que para quem procura estabilidade, comprar casa é a escolha mais adequada. Por outro lado, arrendar casa é a opção mais procurada por quem não pretende ficar no mesmo lugar a longo prazo, situação bastante frequente nas gerações mais jovens. Contudo, e apesar de depender das escolhas e percursos de cada um, ambas as opções têm diversas vantagens e desvantagens, e fatores a ter em conta. E tudo acaba por depender quanto é que se quer e pode gastar, tanto no presente como no futuro. Afinal, vale mais a pena comprar ou arrendar casa?

Os Prós e Contras de Arrendar.

A maior diferença prende-se nos custos iniciais: arrendar implica apenas o pagamento da renda mensal e uma caução, normalmente requerida pelo senhorio. Despesas do IMT, impostos do selo ou escritura não são aqui consideradas e ainda irá poder deduzir 15% das rendas suportadas no seu IRS, com um limite anual de 502€. Além disso, gastos periódicos como o IMI, condomínio ou até custos de obras em casa ou no prédio não serão uma preocupação visto estarem ao encargo do proprietário do imóvel. O estudo da Deco Proteste chama ainda a atenção para um detalhe relevante: Ser arrendatário significa não ficar preso à flutuação das Euribor durante décadas. E tem ainda a liberdade de mudar de casa quando bem lhe apetecer, desde que avise o senhorio dentro do prazo estipulado no contrato.

No entanto, este pode também revelar-se um dos maiores contras de arrendar casa, pois o senhorio pode também opor-se à renovação do contrato ou até denunciá-lo. Esta opção implica também que preste atenção à taxa de inflação para saber quanto será aumentado na renda anualmente – valor que nos últimos anos ronda nos 1%.

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Os Prós e Contras de Comprar Casa.

Ainda que esteja a aumentar, concessão do crédito à habitação por parte dos bancos nos dias de hoje não se compara aos valores registados antes da crise. Com regras mais rigorosas definidas em 2018, os bancos são hoje obrigados a exigir uma entrada de 20% do valor da avaliação do imóvel, sendo o empréstimo equivalente aos 80% restantes.

Mas não pode considerar apenas esta entrada inicial. Existem vários outros gastos à cabeça que tem de ter em conta como os gastos notariais e de registo, imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT), o imposto de selo sobre o valor da aquisição (0,8%) e do crédito (0,6%), e as comissões iniciais referentes ao empréstimo.

Contudo, comprar casa acaba por ser um investimento a longo prazo que lhe permite obter património e estabilizar a vida.

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Feitas as contas, o que compensa?

Numa simulação feita pelo Deco Proteste em 2018, foram avaliados vários fatores destas duas opções, nos concelhos de Lisboa, Porto, Braga, Faro e Castelo Branco, tendo em conta imóveis semelhantes – T2 com 100 metros quadrados – considerando um prazo de 30 anos em ambas.

Em Lisboa foi considerada uma renda mensal de 1200 euros, no arrendamento de um T2. Ao fim de 30 anos, somando as rendas, uma inflação de 2,04% e descontando os benefícios fiscais, o encargo total com o imóvel seria de 572 794 euros. Já no caso de querer comprar uma casa com características semelhantes na capital portuguesa, a Deco Proteste considerou um valor de 280 mil euros com base em várias pesquisas em portais de imobiliário. Mas não fica por aqui. Com um desembolso inicial de 71 547 euros, e um encargo anual de 1195 euros, há ainda que incluir a prestação ao banco, os seguros, o condomínio e o IMI. Ao fim de 30 anos, este T2 em Lisboa terá custado 522 mil euros, com juros do crédito.

Ou seja, neste caso, ao final de 30 anos, se optar por comprar o T2 em Lisboa vai acabar por pagar menos 50 mil euros do que se tivesse arrendado uma casa com características semelhantes.

Na cidade do Porto, um T2 arrendado por mil euros, ao final de três décadas seria 474 818 euros. Para a compra foi considerada uma casa de 145 mil euros, com uma despesa inicial de 34 mil euros. Ao fim de 30 anos, com juros considerados e todos os restantes gastos, o imóvel estaria pago, por 272 576 eurosmenos 200 mil euros do que se tivesse arrendado.

Em Braga foi considerada uma renda de 400 euros, com um custo total de 180 891. Já comprar uma casa de 88 mil euros, com um encargo inicial de 20 mil euros, iria totalizar ao final de 30 anos, 164 891 euros. Uma diferença de 16 mil euros.

Em Faro, com uma renda de 850 euros, terá pagado 401 337 euros ao final de 30 anos. Já se comprar na mesma cidade uma casa com características semelhantes por 115 mil euros, com um custo de cabeça de 26 mil euros, o custo final será de 218 mil euros. Trata-se de uma diferença de 182 mil euros, face ao arrendamento.

Por fim, em Castelo Branco onde as rendas e preços das casas são mais acessíveis, foi considerado um T2 com uma renda de 275 euros mensais, que ao final de três décadas se traduz num gasto de 119 657 euros. Se optasse por comprar, a diferença seria muito reduzida. Tendo em conta um imóvel de 65 mil, ao final de 30 anos são 119 mil euros.

A conclusão é que a nível de faturas, a longo prazo acabará por gastar menos dinheiro se adquirir a habitação. É também uma vantagem o facto de poder gerir como quiser e obter património que pode deixar aos seus herdeiros.

Ao contrário do que acontecia há dez ou quinze anos, comprar casa é hoje a opção mais vantajosa.